Dados estruturados para SEO: o que são e como testar

Alexandre Silva Anjos
Alexandre Silva Anjos · Founder do SEOWrench

Dezessete anos construindo software, hoje aplicados no SEOWrench.

Dados estruturados são uma descrição da sua página escrita para a máquina ler. Em vez de deixar o Google deduzir que um número é um preço, que um nome é o do autor ou que um texto é uma receita, você declara isso num formato que ele lê sem precisar interpretar.

Este texto é sobre dados estruturados para SEO, a marcação que vai dentro do HTML do site. Se você chegou aqui procurando a diferença entre dados estruturados e não estruturados em ciência de dados, o assunto é outro.

Você vai ver o que são, o que ainda rendem na busca do Google em 2026, o que se sabe de verdade sobre o uso deles pelas IAs, e como testar os do seu site. Se quiser começar pelo fim, o teste de SEO grátis mostra, sem cadastro, quais tipos de dados estruturados a sua página declara.

Índice

  1. O que são dados estruturados
  2. JSON-LD, microdata e RDFa
  3. O que eles rendem na busca do Google
  4. O que mudou: FAQ e HowTo saíram da busca
  5. Os tipos que servem para a maioria dos sites
  6. O que as IAs fazem com dados estruturados
  7. Os erros que custam caro
  8. Como testar os dados estruturados do seu site
  9. Se o seu site é WordPress
  10. Por onde começar

O que são dados estruturados

A página de um produto tem nome, preço, foto e disponibilidade. Quem lê entende tudo isso de relance. A máquina vê texto solto e precisa adivinhar o que cada pedaço é. Os dados estruturados tiram a adivinhação: são um bloco de código, invisível para o visitante, que diz "isto é um produto, este é o nome, este é o preço".

O vocabulário vem do schema.org, um projeto mantido pelos grandes buscadores para que todos usem as mesmas palavras. É por isso que muita gente chama dados estruturados só de "schema". Product, Article, Organization e BreadcrumbList são nomes de tipos desse vocabulário, e cada tipo tem as suas propriedades. Um Article tem headline, author e datePublished. Um Product tem name e offers, e dentro da oferta vai o preço.

Um exemplo do formato mais comum, para um post de blog:

<script type="application/ld+json">
{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "BlogPosting",
  "headline": "Dados estruturados para SEO: o que são e como testar",
  "datePublished": "2026-10-02",
  "dateModified": "2026-10-02",
  "author": { "@type": "Person", "name": "Maria Silva" },
  "publisher": { "@type": "Organization", "name": "Sua Empresa" }
}
</script>

O bloco não muda nada do que o visitante vê. Ele existe para o robô.

JSON-LD, microdata e RDFa

Existem três jeitos de escrever dados estruturados no HTML. O JSON-LD é um bloco separado, como o do exemplo acima. O microdata e o RDFa são atributos colados nas próprias tags da página, misturados ao texto visível.

O Google aceita os três e recomenda um. Nas palavras dele, "em geral, o Google recomenda usar JSON-LD para dados estruturados se a configuração do seu site permitir, porque é a solução mais fácil de implementar e manter em escala". O motivo prático é que o JSON-LD fica num lugar só. Dá para mudar o layout da página sem quebrar a marcação, e dá para revisar tudo lendo um bloco.

Como conferir. Abra o código-fonte da página (Ctrl+U no Chrome) e procure por application/ld+json. Cada ocorrência é um bloco de JSON-LD. Se não aparece nenhuma, a página pode usar microdata (procure por itemtype) ou não ter dados estruturados.

O que eles rendem na busca do Google

O ganho mais conhecido é o resultado enriquecido, aquele que mostra mais do que título e descrição: o preço e a disponibilidade de um produto, a nota e o tempo de preparo de uma receita, a data e o local de um evento. Para a página ser elegível, a marcação precisa ter as propriedades que o Google exige para aquele tipo.

Elegível não quer dizer garantido. As diretrizes do Google avisam que ele "não garante que os seus dados estruturados vão aparecer nos resultados da busca, mesmo que a página esteja marcada corretamente segundo o Teste de pesquisa aprimorada". Quem decide é o algoritmo, página a página e busca a busca.

A outra parte do ganho é menos visível. A marcação tira a dúvida sobre o que a página é. Uma página que diz em código que é um artigo, escrito por tal pessoa, publicado em tal data, não depende de o buscador acertar isso lendo o texto.

O que mudou: FAQ e HowTo saíram da busca

Muito guia de dados estruturados ainda manda marcar as perguntas frequentes com FAQPage para ganhar a caixa de perguntas abaixo do resultado. Esse conselho venceu. A caixa já estava restrita, desde 2023, a sites de governo e de saúde reconhecidos. Em maio de 2026, o Google deixou de mostrá-la de vez, e em junho tirou a documentação dela do ar.

O resultado de passo a passo (HowTo) seguiu o mesmo caminho, e também não está mais na lista de recursos que a busca do Google aceita. Em 2025 saíram outros tipos pouco usados, como o de informações de curso, o de salário estimado e o de anúncio de veículo.

A lição não é parar de marcar. FAQPage continua sendo vocabulário válido do schema.org, e outras máquinas podem ler a marcação. A lição é conferir essa lista antes de gastar horas com um tipo, porque o que aparece na busca muda, e muda sem avisar quem já marcou.

Os tipos que servem para a maioria dos sites

A lista do schema.org tem centenas de tipos. Para a maior parte dos sites, meia dúzia resolve:

Tipo Onde vai, e para que serve
Organization Na home. Diz quem é a empresa, com o logo, e com sameAs liga o site aos perfis oficiais.
WebSite Na home. Informa o nome do site que o Google mostra no resultado.
BreadcrumbList Nas páginas com trilha de navegação. Mostra onde a página fica na hierarquia do site.
Article ou BlogPosting Em post e notícia. Título, imagem, autor e datas, sem adivinhação.
Product Na página de um produto. Preço e disponibilidade, que podem aparecer no resultado.
LocalBusiness No site de negócio com endereço. Endereço, telefone e horário de funcionamento.

Dois detalhes que o Google escreve na documentação e muita gente ignora. O WebSite que informa o nome do site precisa estar na home, e não em qualquer página. E o resultado enriquecido de produto só vale para página que trata de um produto só, ou das variações dele. Página de categoria, com uma lista de produtos, não é lugar de Product.

Como conferir. O teste de SEO grátis lista, no item "Dados estruturados (Schema)", todos os tipos que encontrou na página. Se não encontrou nenhum, o item avisa "Nenhum JSON-LD". É o jeito mais rápido de ver se a home tem Organization e se os posts têm Article.

O que as IAs fazem com dados estruturados

Aqui a internet promete mais do que a evidência entrega. A frase mais repetida é que dados estruturados fazem o ChatGPT ou o Gemini citarem o seu site. O que se sabe de fato, com a fonte de cada lado:

  • O Google diz que não precisa de nada especial. No guia de otimização para os recursos de IA da busca, de julho de 2026, ele escreve que dados estruturados "não são exigidos para a busca com IA generativa, e não existe marcação especial do schema.org que você precise adicionar". E completa que vale continuar usando, porque eles ajudam a página a ser elegível para resultado enriquecido.
  • A Microsoft diz que ajuda o Bing a entender. Em março de 2025, Fabrice Canel, gerente de produto do Bing, disse num evento que a marcação schema ajuda os modelos de linguagem da Microsoft a entender o conteúdo. Entender não é o mesmo que citar.
  • Medido, o efeito na citação não apareceu. A Ahrefs acompanhou 1.885 páginas que adicionaram JSON-LD, comparadas com 4.000 que não adicionaram, entre agosto de 2025 e março de 2026. A conclusão foi que adicionar schema não trouxe aumento relevante de citação em nenhuma plataforma.

A leitura honesta é que dados estruturados são reforço de compreensão. Eles ajudam a máquina a ter certeza de quem escreveu, sobre o que é e quando foi publicado. Não garantem que uma IA vá citar você, e quem promete isso está vendendo algo que ninguém mede.

É assim que o SEOWrench pontua. Na nota de GEO, que mede se as IAs conseguem ler o seu site, a falta de schema relevante entra como oportunidade e pesa pouco, porque ajuda a ser citado, e não a ser lido. O que pesa muito é o robô de IA conseguir acessar a página e encontrar o texto sem precisar rodar JavaScript.

E o problema é comum até entre os grandes. No nosso estudo com 32 dos sites mais acessados do mundo, feito em julho de 2026, 59% não tinham na home um schema que ajudasse a IA a interpretar a página.

Como conferir. No teste de SEO grátis, o item "Schema legível pela IA" aparece como aprovado quando a página tem um tipo útil para interpretação, como Article, BlogPosting, FAQPage, Organization ou Product. Em páginas de conteúdo, com 300 palavras ou mais, o item "Autor e data presentes" confere se a página diz quem escreveu e quando, no JSON-LD ou nas metatags.

Os erros que custam caro

  1. Marcar o que a página não mostra. É a regra mais citada das diretrizes do Google: "não marque conteúdo que não esteja visível para os leitores da página". Avaliação que não existe, pergunta frequente que não está no texto, preço diferente do que aparece na tela. A punição é uma ação manual, que tira da página a elegibilidade para resultado enriquecido. O Google diz que essa ação não muda a posição da página na busca, mas todo o trabalho da marcação vai embora.
  2. Bloco com erro de sintaxe. Uma vírgula sobrando ou uma aspa sem fechar, e o JSON inteiro fica ilegível. O navegador não reclama, a página abre normal, e ninguém percebe.
  3. Marcação que só aparece depois do JavaScript. O Google consegue ler marcação inserida por script, mas nem todo robô roda JavaScript. Se o bloco só existe depois que o script roda, há robôs que nunca o veem.
  4. Dois plugins escrevendo a mesma coisa. Num site com tema e plugin de SEO, é comum sair dois Organization com dados diferentes, ou dois Article para o mesmo post. A máquina recebe duas versões e precisa escolher uma.
  5. O tipo errado para a página. Marcar a home inteira como Article, ou uma página de categoria como se fosse um produto, descreve a página de um jeito que ela não é.

Como conferir. O erro 1 nenhuma ferramenta pega: é comparar a marcação com o que a tela mostra. Os erros 2 e 5 aparecem no Teste de pesquisa aprimorada do Google, que mostra o que leu e onde está o problema. Para o erro 3, compare as duas leituras. A análise grátis do SEOWrench lê o HTML como ele chega, sem rodar JavaScript, e o teste do Google lê a página depois de montada. Se o Google encontra os tipos e a análise grátis diz "Nenhum JSON-LD", a marcação depende de script. O erro 4 aparece como dois blocos do mesmo tipo na lista de qualquer uma das duas.

Como testar os dados estruturados do seu site

Cada ferramenta responde a uma pergunta, e nenhuma responde a todas:

Ferramenta O que responde O que não responde
Teste de SEO grátis do SEOWrench se a página tem JSON-LD, quais tipos, se há tipo útil para a IA e se a página diz autor e data se o JSON é válido, e se as propriedades obrigatórias estão lá
Teste de pesquisa aprimorada para quais resultados enriquecidos a página é elegível, com os erros e avisos de cada um os tipos que a busca do Google não usa
Validador de marcação do schema.org se a marcação segue o vocabulário do schema.org, para qualquer tipo se o Google vai usar a marcação
Search Console os relatórios de resultado enriquecido do site inteiro, e a Inspeção de URL nada sobre a página antes de ela ser publicada e rastreada

A ordem que economiza tempo:

  1. Rode o teste de SEO grátis na home e numa página de cada modelo: um post, um produto, uma categoria. Em poucos segundos você sabe onde não há marcação nenhuma.
  2. Nas páginas que têm marcação, passe o endereço no Teste de pesquisa aprimorada. Corrija primeiro os erros, porque propriedade obrigatória faltando tira a página da elegibilidade.
  3. Para os tipos que a busca do Google não usa, confira no validador do schema.org.
  4. Depois de publicar, acompanhe pelo Search Console. Os relatórios mostram quantas páginas têm marcação válida, e é lá que aparece o dia em que um tema ou plugin novo quebrou o que estava certo.

Para o site inteiro de uma vez, a conta gratuita do SEOWrench audita até 5 páginas por varredura.

Se o seu site é WordPress

No WordPress, quem escreve os dados estruturados costuma ser o tema ou o plugin de SEO, e às vezes os dois ao mesmo tempo. Antes de acrescentar marcação, descubra quem já escreve: rode o teste na página e veja os tipos listados. Se aparecem dois blocos de Organization, um deles está sobrando.

O plugin grátis do SEOWrench para WordPress mostra, no painel, a cobertura de dados estruturados por tipo de conteúdo, e quais tipos ainda estão sem marcação.

Por onde começar

Para a maioria dos sites, dados estruturados são o trabalho de uma tarde. A ordem que rende mais:

  1. Na home, Organization com o nome, o logo e o sameAs apontando para os perfis oficiais, e WebSite com o nome do site.
  2. Nos posts, Article ou BlogPosting com o autor, a data de publicação e a data da última atualização.
  3. Onde a página mostra a trilha de navegação, BreadcrumbList com os mesmos degraus da tela.
  4. Nas páginas de produto, Product com o preço igual ao que aparece para o visitante.
  5. Teste cada modelo de página uma vez, e de novo sempre que trocar de tema ou de plugin.

O erro caro não é deixar de marcar. É marcar errado e não saber. Um teste de poucos segundos por modelo de página resolve a segunda parte.

Fontes

  1. Google Search Central: introdução aos dados estruturados
  2. Google Search Central: diretrizes gerais de dados estruturados
  3. Google Search Central: recursos que a busca do Google aceita
  4. Google Search Central: atualizações da documentação, com a saída do resultado de FAQ
  5. Google Search Central: mudanças nos resultados de HowTo e FAQ (2023)
  6. Google Search Central: simplificando a página de resultados (2025)
  7. Google Search Central: nome do site nos resultados
  8. Google Search Central: dados estruturados de produto
  9. Google Search Central: otimização para os recursos de IA generativa da busca
  10. Search Engine Roundtable: o schema ajuda os modelos de linguagem da Microsoft a entender o conteúdo
  11. Search Engine Roundtable: o estudo da Ahrefs sobre schema e citação por IA
  12. Schema.org: validador de marcação
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